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Monsenhor Pavan é novo maestro da Capela Sistina

Monsenhor Pavan, padre da Diocese de Campo Limpo, conta como recebeu a notícia de que seria o maestro do coro da Capela Sistina.

Redação | Andrea Rodrigues | Sexta, 08 Janeiro 2021 13:34
Monsenhor Pavan é novo maestro da Capela Sistina Vatican News

Sempre gentil em suas palavras, Monsenhor Pavan, como é conhecido na Diocese de Campo Limpo, a qual pertence, foi nomeado Maestro Diretor da Capela Musical Pontifícia no final de novembro de 2020, pelo Papa Francisco, inserido no campo musical desde a infância e afirma que: “Todas as músicas são oração".

Aos 58 anos, este homem maravilhado com as surpresas de Deus em sua vida se sente feliz e recompensado pela notícia da nomeação. A música, uma paixão de toda a vida, é para ele, assim como o sacerdócio, parte de um projeto único de Deus em sua vida. Amante da MPB e de Chico Buarque, está sempre atento aos lançamentos mais recentes do gênero e enfatiza: “Meu cantor preferido será sempre o Pavarotti”, tenor italiano que popularizou mundialmente a ópera, falecido em 2007.

Há mais de 20 anos, exatamente em 1998, quando já havia concluído os estudos em direito canônico e já se preparava para voltar ao Brasil em definitivo, foi chamado pelo então Maestro das Celebrações Pontifícias, D. Piero Marini, para ajudar o novo maestro da Capela Sistina, que buscava um regente para os ‘Pueri Cantores’ (meninos cantores), com autorização de Dom Emilio Pignoli, bispo diocesano da época, aceitou o convite, se adaptou aos costumes, o que inclui gostar de uma boa Pasta, espera a pandemia passar para vir ao Brasil passar férias.

 

A reportagem da Comunicação Diocesana conversou pelos meios eletrônicos com o monsenhor, sobre a nomeação, vida na Itália, família e projetos, confira abaixo:

Diocese em ação: Como o Monsenhor Marcos Pavan se define?

Mons. Pavan - Sou uma pessoa que se maravilha cada dia com as surpresas de Deus na própria vida.

Diocese em ação: Natural de São Paulo e filho de Antônio Marcos Pavan e Maria Helena Isola Pavan, tem irmãos? Moram no Brasil?

Mons. Pavan - Tive uma irmã mais jovem que faleceu em 2006, 4 anos depois de meus pais.

Diocese em ação:   Sei que o senhor é advogado, quando surgiu a paixão pela música?

Mons. Pavan - Tive a sorte de ter sido musicalizado já na escola primária e, desde então, a música ocupou um lugar especial na minha vida.

Diocese em ação: Se decidiu pela música ou pelo sacerdócio primeiro, ou foi um paralelo?

Mons. Pavan - Desde criança senti o chamado de Deus ao sacerdócio, embora só tenha entrado no seminário em idade adulta. Também a música é uma paixão da infância. Vivi essas duas “vocações” em modo paralelo e, às vezes, conflitual na minha juventude. Hoje entendo que sacerdócio e música fazem parte de um único projeto de Deus para a minha vida.

Diocese em ação: Dom Emílio, nosso Bispo Emérito o ordenou presbítero em 29/06/1996, na Paróquia São Pedro e São Paulo, correto? Qual foi a sua trajetória depois de ordenado e antes migrar para Roma?

Mons. Pavan - Dom Emílio enviou-me a Roma para realizar meus estudos de filosofia e teologia. Fui ordenado diácono no final de 1995 e presbítero em 29 de junho de 1996. Seguiram-se dois anos de estudo do direito canônico e, neste período, cheguei a trabalhar nos meses de férias em alguma paróquias na nossa diocese.

Diocese em ação: É mestre em direito canônico pela Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino, exerceu ou exerce algo relacionado?

Mons. Pavan - Durante a faculdade de Direito, no Brasil, trabalhei na Justiça do Trabalho e em dois escritórios de advocacia. Em Roma, terminados os estudos teológicos, pareceu natural a mim e a Do Emílio uma especialização em direito canônico.

Diocese em ação: Quando recebeu o título de Monsenhor?

Mons. Pavan -  Em 20015 o Papa Bento XVI, que conhecia o meu trabalho com os meninos cantores da Capela Musical Pontifícia, quis honrar-me com o título de Monsenhor. Em 2016, foi a vez de Papa Francisco, que quis me nomear Coadjutor do Cabido da Basílica Papal de São Pedro.

Diocese em ação: Como a música ajudou e ajuda em seu ministério sacerdotal?

Mons. Pavan - A música sacra, em particular o canto gregoriano, é uma fonte inigualável de espiritualidade e forma privilegiada de oração. Tive muita sorte de ter-me dedicado ao estudo e à prática dessa maravilhosa forma de arte.

Diocese em ação: Como é a rotina do Monsenhor? Mudará algo por conta da nomeação?

Mons. Pavan - Continuarei com quase todas as atividades que já exercia como Maestro dos Pueri Cantores (seleção e preparação musical dos meninos, formação religiosa dos nossos alunos, ensaios de canto etc.) às quais se somará a responsabilidade de escolha do repertório e preparação dos cantores adultos.

Diocese em ação: O senhor já faz parte da Capela Sistina desde 1998, primeiro como assistente e depois como diretor interino, pode me contar um pouco dessa trajetória e se imaginava que alcançaria o cargo de Maestro Diretor?

Mons. Pavan - Em 1998, quando tinha concluído meus estudos de direito canônico e estava me preparando para voltar definitivamente ao Brasil, fui chamado pelo então Maestro das Celebrações Pontifícias, Dom Piero Marini, para ajudar o novo Maestro da Capela Sistina, que buscava alguém para orquestrar os meninos cantores da Capela. Após conversar com Dom Emílio, ficou combinado que colaboraria com o coro até o final do Jubileu do ano 2000. Mas, passado o Jubileu, o Secretário de Estado de então, Cardeal Sodano, escreveu a Dom Emílio pedindo que me autorizasse a continua no coro, na época não estavam conseguindo arrumar um substituto. Dom Emílio contava com meu retorno, e eu mesmo fiquei um pouco em crise, sem saber o que fazer: por um lado gostava do meu trabalho, por outro sabia que meu Bispo estava me esperando e eu tinha também muitas saudades da minha família. Resolvi aceitar a decisão dos superiores, qualquer que fosse. No final decidiram que eu continuaria em Roma, e aqui estou eu até hoje.

Diocese em ação: A sua direção alcança também a Capela Musical certo? Como é ‘musicalizar’ as celebrações papais?

Mons. Pavan - “Capela Musical” é a expressão usada para designar os coros das grandes catedrais. A nossa é chamada ‘Pontifícia’ porque canta nas celebrações do Sumo Pontífice, e ‘Sistina’ porque o Papa Sixto IV, em 1471, renovou o nosso coro depois de um período de decadência.

A nossa função é dupla: Primeiro: antes de tudo existimos para “cantar a liturgia” (não cantar “na” liturgia). O Concílio Vaticano II deixou bem claro que o canto sacro é parte integrante da liturgia, não um mero fundo musical, por isso, atuamos em grande sintonia com o Maestro das Celebrações Litúrgicas do Santo Padre, atualmente Monsenhor Guido Marini. Segundo: Faz parte da nossa missão conservar o patrimônio formado pelas músicas que, nos séculos, foram compostas para a liturgia papal e providenciar a composição de novas músicas para atualizar e incrementar esse patrimônio. Fazemos muitos concertos em todo o mundo, para anunciar cantando a Palavra de Deus e divulgar o que de melhor a cultura musical católica tem a oferecer.

Diocese em ação: Existiu alguma cerimônia ou audiência para esta nomeação de Maestro Diretor com o Santo Padre, se sim, como, onde e quando foi?

Mons. Pavan - Não existe nenhuma cerimônia particular, mas domingo (06/12) encontrarei o Santo Padre para agradecer pela nomeação e reiterar a minha total disponibilidade ao seu serviço.

Diocese em ação: Como é, pessoalmente, para o senhor receber o título de maestro diretor do coral mais antigo do mundo?

Mons. Pavan - Para mim é uma surpresa enorme, nunca pensei que isso aconteceria; gosto muito de trabalhar com os ‘Pueri Cantores’ e sempre achei que continuaria nesse âmbito de atividade, mas a criatividade da Providência supera qualquer imaginação!

Diocese em ação: Qual foi o impacto da pandemia no seu trabalho na Capela Musical Pontifícia?

Mons. Pavan - Tem sido muito difícil manter o coro ativo nesse tempo de pandemia: dividimos os cantores, adultos e meninos, em vários grupos sem contato entre eles, assim, se um grupo tiver que entrar em quarentena (como já aconteceu) outro grupo pode garantir o canto nas celebrações papais. Pra não falar que os cantores devem manter entre eles uma distância de 2 metros: tudo isso é muito complicado, mas com a ajuda de Deus e muita paciência vamos levando!